Em 1994, na Vila Vigoni (Lago de Como), um encontro promovido pelo Secretariado da Conferência Episcopal Alemã e pela Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja sobre o tema “A conservação do património cultural como dever do Estado e da Igreja” originou a ‘Carta da Vila Vigoni – sobre a conservação dos bens culturais eclesiásticos’.
Interessante documento de intenção, sustenta a Carta da Vila Vigoni dever a manutenção constante dos bens culturais ser considerada a obrigação concreta mais importante de cada comunidade responsável pela sua protecção, mais a mais adiantando dever reparações consideradas necessárias atender à substância cultural e conteúdo religioso dos bens e ser confiadas somente a pessoal com experiência reconhecida.
Sendo “os esforços da Igreja na protecção e manutenção dos seus bens culturais móveis e imóveis particularmente urgentes no momento histórico actual, quer para contrariar os processos de secularização, como de dispersão e profanação que o ameaçam”, assinala ainda a referida Carta, procura a Igreja “responder às questões emergentes das santificações, segundo a identidade e a continuidade do património histórico dos povos.”.
Povos antes simples e humildes e agora complexos e aviltados que sejam – que manutenção religiosa entretanto?
Antes? Antes – Agora – subtrair a comunidade no que à cultura material e ao devir popular diz respeito (precisamente) é em simultâneo inscrição e leitura da constituição moderna de que muitos se queixam nominalmente mas que poucos combatem realmente. Porque como ao respeito (re-vidente) nada acrescenta o play-back-ing [d]e porcaria (“Mas não comereis aqueles que só ruminam e não têm a unha fendida, ou só têm a unha fendida e não ruminam” – Lev. 11, 4), ao adobo nada acrescenta o cimento: da intentada Vila Vigoni à manifesta Vila Fermentelense, perdidas religação e restauração em €-migrações de sentido.
Diminuídas de realidade convivente, edificada e edificante, também as palavras se perdem, absurdas, ditas como se seus contrários fossem, subvertendo-se valores colectivos sob a chancela de vertigens numéricas para aferir da justiça das coisas.
Se lembramos que o único imóvel patrimonial eclesiástico de origem (em integridade de processos nativos) em Fermentelos se encontra “para venda” (v. http://fermentelos.diocaveiro.net/paroquia.html), que vozes resistem dignas dos nossos antepassados, André Fermentelos?
Na aldeia cosmovivente, é o lugar que se perde quando a maravilha é a mutilação e a arquitectura de e da terra se entrega para alienação.

No comments:
Post a Comment