Não tratamos aqui de meros ideais ou opiniões, nem que tudo se equivale no fundo e que “há que aceitar” as coisas – a inevitabilidade do progresso, do desenvolvimento, da civilização – sob penhores a crivar de aspas de liberdade, igualdade e fraternidade. Aqui, no papel, limitamo-nos a constatações sobre, precisamemte, papéis e representações, objectivando que não com a “objectividade” de moedas centradas na especulação e na usura.
Há em Fermentelos, como em toda a parte, inúmeros exemplos do jugo modernista em curso, aquele que, na contingência de argumentário adverso, projecta sua constituição nos discursos sobre e faz do outro outr’algo-ista, tornando-o assim como que mais digestível a suas alarves beiças, dir-se-ia, não fosse alarve termo flagrante corruptela de referência a todo um povo.
Em Fermentelos como em tantas partes, agudiza-se o confronto entre o projecto moderno e o já amiúde inconsciente bom senso das gentes que deixam os dual-ismos para seus feitores e não falham à constatação permanente da dualidade existencial, em resistência conservando raízes sem preço, técnicas e tácticas possuíndo expressão religável fora do mercado, o mercado uma feira e não a total imposição de multinacionais cabazes de plástico. Com os motes do bom senso, porém, está cada vez mais difícil pôr comida na mesa, a substância partilhada devendo-se em requerimento e não em sentido: e como quando tens que pagar por tudo nunca dás como deves, mais a mais (mais!, mais!) que já nasceste devendo à abstracção capital e de joelhos passando a vida capitulas, aos teus legas apenas mais ou menos notas para mais ou menos débitos de inflação mascarada
À vizinhança listada que se perfila neste horizonte estival, temos muito que confrontar com se não nos demitimos de pensar que tudo isto não bate certo e a conversa do menos mau dos sistemas encobre a pobreza a- e e-fectiva dos muitos face à ostentação amoral dos poucos. Pois se se sucedem agendas e se planeiam grandes opções para as unidades do esquema do estado-nação-em-Europeia-União, se se apresentam pilotos projectos e se enunciam “sustentabilidades”, a verdade não consta senão por inferente oposição da Carta de Aalborg como não consta da Declaração de Bolonha ou em quaisquer das directivas que, enfatizando capital e consumo, tomam a criação como propriedade.
Evidenciando uma atitude diferenciada e diferenciadora de valor na comunicação com privados, consoante o enquadramento de suas práticas, necessariamente partindo de uma posição-demonstração pública qual estandarte manifesto, poderia a orgânica democrática legitimar suas reclamações oratórias, considerado possível tal entreposto em tal modo de operar. Mas como se define o interesse público se a maior lagoa natural da Península Ibérica em lugar de motivar localizantes cooperativas associações de restauração e um realinhavar com dignidade de alinhamentos colectivos face a particulares confinâncias antes se adia para uma pós-vida empacotada e de pacotilha?
