Pela noite de um passado Sábado - a 15 de Dezembro de 2007 - teve lugar em sede da Junta de Freguesia de Fermentelos a apresentação por parte da Câmara Municipal de Águeda das coordenadas do que será o novo Plano Director Municipal (PDM) - suas nuances relacionais e perspectivas enquanto actualização documental do enunciado de 1995. E porque de uma actualização se trata, importa considerar que dos pioneiros termos directores - que nomeiam a Pateira para um 'plano de pormenor' e remetem os imóveis de interesse público para "o articulado legal correspondente para conveniente protecção", apontando dever a tipologia de construção ser mantida nas zonas de protecção ambiental (Artº10) e proibindo "acções de recuperação dos edifícios e imóveis degradados que não tenham em atenção os parâmetros culturais da construção preexistente" (Artº13) - à realidade, gritante o desfasamento. Que aferir, de resto, ao presente dotado de memória histórica, da nomeada criação de "uma zona de protecção de 50 m. de raio em torno da edificação" de interesse público (Artº21), considerando como exemplo desta o ‘valor de interesse concelhio’ Cruzeiro de Fermentelos?
Na transição entre PDMs e na gestão de associadas expectativas (AMRIA, por exemplo), de todas as localizadas localizações interessa sobremaneira atentar nos termos que se seguem, estratégica e paradigmaticamente remetendo-se estes para o 'reforço da coesão social', 'desenvolvimento sustentado' e 'valorização ambiental/turística' via 'qualificação industrial', 'requalificação agrícola', 'valorização residual' e 'potenciação energética'. Assumindo a vontade de criar uma ‘política reguladora do mercado fundiário municipal’, reconhece o executivo camarário a necessidade de melhorar as classificações do uso do solo, indexando diferenciais tipológicos e classes espaciais em extensão ao ‘grau de ruralidade’, o perímetro urbano (man)tendo o limiar de 50 metros. De 'grandes equipamentos' e 'espaços verdes de apoio à comunidade' a 63 ‘medidas-acções’ para a Pateira, do estabelecimento de ‘espaços verdes de protecção' e 'espaços naturais de valorização ambiental e patrimonial' à criação de um ‘mecanismo de valorização e recuperação de edificados abandonados’ particularmente incidente em zonas históricas, sobressai a questão de como conciliar preexistências (quais?) sem um seu levantamento (colectivo de humanos e não-humanos) claro e claro conhecimento.
Ao Cruzeiro, como sintomaticamente evidenciou o Pedro Rui, a questão do interesse e do domínio público carece já da própria centralidade e largura de banda de efectivo Largo, tornado este mera rotunda função de um tráfego automóvel cada vez mais conforme (em conformidade e conformado) à face impostora da suburbanização arquitectónica e veicular. Ainda em xeque por ecos e sombras de vazias perspectivas tributárias de passantes presentes de amnésicas escaladas e estacionamentos, paradoxal, a batalha entre sentido e absurdo opõe também e ainda religião e religação – quando mutações deletérias se apelidam de restauro. Como reviver aqui ao Cruzeiro um centro histórico sem antes estancar a deriva que num ápice de décadas desligou a própria conexão sagrada e convivente do Largo?
Em contextos de aceleradas mutações e desmaterializações, importa saber contrariar e opor, no terreno, concretamente, reais restaurações e actantes descativares artefactuais. Para que se não percam boas e nominais intenções planeadoras, importa necessariamente reabilitar memórias e congelar ‘viabilidades’ de cimentadas afrontas e especulares esquecimentos, sob pena de, emulando recentes passados, se imolar o que ainda subsiste do nativo devir fermentelense.
Da parte da Instituição João Tomás Nunes (IJTN) e pelo ano 18 de recolecção re-existente, a vigília de transcender a exposição permanente de possibilidades autóctones pela tradução de seu intento resistente ao Cruzeiro – e à Pateira - de Fermentelos.
