Constâncias há na vida, imponderável que (sendo, é) seja. Destas, as que nos remetem ao sagrado, ao divino e à transcendência e as que ao sagrado, ao divino e à transcendência remetemos - percorrendo certos trilhos - assumem especial incidência.
Navegando na rede de que muito se fala em termos de possibilidades comunicacionais em tempo real, da consulta à página da Paróquia de Fermentelos nas pós-imediações da Sr.ª da Saúde [18/08/08], temos que desta – sem dúvida a maior celebração religiosa Fermentelense – nada aflora além da mera nomeação enquanto ‘festividade’, sem subsequentes ligações, sintomático em etnográfica comparação sendo o alinhamento re-presentado face ao que diferencialmente se faz constar noutros dos menus da página em questão, ‘actualidade’ e ‘eventos’ por exemplo. Pois se eventualmente se seguem referindo em exclusividade datadas viagens (…“Inscreva-se”), a ‘actualidade’ - «tenha acesso permanente à folha semanal “Vida Nova” em formato digital» - cristalizou no IX Domingo do Tempo Comum (a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria situando-se entre o XIX e o XX), perguntando-se, ironicamente vis-a-vis o fluindo presencial, “Com que alicerces queremos nós, hoje, lançar a construção do futuro?”
Ora, como trabalha afinal a Paróquia de Fermentelos os alicerces do presente quando, contra a própria natureza dos materiais, subcontratou processos antagónicos para obras de desvirtuação – quer os que respeitaram à construção do mono paroquial, quer os empregues na desmaterialização matricial e mesmo os que, palavras actos e omissões, deixam a velha residência paroquial à lástima da imobiliária usura – sarcasticamente afirmando não querer envergonhar ninguém e querer ser digna de nossos antepassados?
Quando em ‘destaque’ Web-paroquial temos, meio ano volvido, a designada celebração (ao anátema central) do “Centenário do Lançamento da 1.ª Pedra da Igreja Matriz de Fermentelos” – que corresponde de igual modo à última das 10 entradas da ‘Galeria Fotográfica’ com 79 fotografias – e nada, imagem, texto ou som algum perpassa da e ou à Sr.ª da Saúde, que inferir de semelhante autismo?
No ano passado ao Cruzeiro passando a Procissão das Velas com Lucas (23, 31) ecoou pergunta – “Porque se tratam assim a madeira verde, o que acontecerá à seca?” – tal que em todas as operações de lavagem arquitectónica e cosmovivencial não cessa de ser cinicamente respondida pela subversão de factos no terreno. Se bem que cem anos são madeira verde havendo relacionais termos de comparação, em Fermentelos, são, quasi-invariavelmente, madeira seca desprezada. Não é o que nos diz, precisamente, a que estoicamente ainda resiste e acossada enfrenta vazios e esvaziares de sentido?
Já este ano e pela voz de D. Ximenes Belo, ao Cruzeiro ecoaram ‘O Dom do Espírito Santo’ (Act 2, 1-9) e, ao 4º Mistério Glorioso em contemplação da Assunção da Santa Virgem aos Céus, o primeiro versículo do primeiro sinal – A Mulher e o Menino – patente no Livro do Apocalipse (Ap 12).
Tratando de religações e estendendo as enunciadas leituras:
Estavam todos assombrados e, sem saber o que pensar, diziam uns aos outros: «Que significa isto?» Outros, por sua vez, diziam, troçando: «Estão cheios de vinho doce.» (Act 2, 12-13)
Mas a terra veio em socorro da Mulher: abrindo a sua boca, a terra engoliu o rio que o Dragão tinha lançado atrás da Mulher. E, furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra contra o resto da sua descendência, isto é, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus. Depois colocou-se na areia da praia. (Ap 12, 16-18)
Tratando de religações, porém, não nos cinjamos a leituras. Questionemo-nos e o possível de nós Fermentelos no que relevamos e revelamos, on e offline, material e espiritualmente, mais mat(r)izes e menos paróquias, ao presente a conjugação sendo gerúndio, a Procissão das Velas Fermentelense como passagem (de passos, a passos) maior das gentes nesta sua terra e empresa maior de tradição e fé que, passante, move e comove a comunidade, respeito e dignidade, andamento ritual colectivo de substancial sentido partilhado, ao Cruzeiro entrecruzando-se ao visível o recontro de expiradas memórias e expiantes recolecções.
[in Região de Águeda, 5 de Setembro de 2008]

No comments:
Post a Comment